26 abril 2015

Menino Drummond

Posted by Blog Café Contexto On 07:23 No comments

Durante a segunda etapa, teremos o projeto DRUMMOND com o ensino fundamental (9º ano). Embora o dia D, que data o nascimento e  a importância da poesia  do poeta Carlos Drummond de Andrade, seja o dia 31 de outubro, a leitura da obra MENINO DRUMMOND dará início a um projeto de leitura, que conta com uma visita à cidade natal do poeta, Itabira, com a interseção da disciplina de história.

A 1ª etapa do projeto compreende um trabalho de leitura, que permita conhecer o processo de criação dos poemas e das respectivas temáticas presentes na obra do poeta: a cidade natal, a reflexão sobre a própria vida, o amor e as pessoas.

Na etapa seguinte do projeto, teremos um recital online, em que os alunos apresentarão, através de vídeos, os poemas do livro e outros escolhidos, que contam a trajetória do poeta desde Itabira até Copacabana (RJ), cidade onde ele viveu grande parte da sua vida. Faremos também uma exposição de fotografias, com o intuito de divulgar os caminhos drummondianos, nosso roteiro para o mês junho.

A reverência que Drummond faz ao tempo, importando-se com o sentimento do mundo, na fase pós-guerra, marca uma poesia de solidarização social. O trabalho, a cidade de Itabira, a infância e a vida adulta em Copacabana, como servidor público, registram o perfil de Drummond em diferentes versos.

Nossa etapa continua cheia de surpresas. Fiquem ligados!!!

                           Professora Marília Mendes

 


O REI MENINO

O estandarte do Rei não é de púrpura e brocado,
é um lírio flutuante sobre o caos,
onde ambições se digladiam
e ódios se estraçalham.
O Rei vem cumprir o anúncio de Isaías:
vem para evangelizar os brutos,
consolar os que choram,
exaltar os cobertos de cinza,
desentranhar o sentido exato da paz,
magnificar a justiça.

Entre Belém e Judá e Wall Street,
no torvelinho de negações e equívocos,
a vergasta de luz deixa atônitos os fariseus.
Cegos distinguem o sinal,
surdos captam a melodia de anjos-cantadores,
mudos descobrem o movimento da palavra.

O Rei sem manto e sem jóias,
nu como folha de erva,
distribui riquezas não tituladas.
Oferece a transparência
da alma liberta de cuidados vis.

As coisas já não são as antigas coisas
de perecível beleza
e o homem não é mais cativo de sua sombra.
A limitação dos seres foi vencida
Por uma alegria não censurada,
graça de reinventar a Terra,
antes castigo e exílio,
hoje flecha em direção infinita.

O Rei, criança,
permanecerá criança mesmo sob vestes trágicas
porque assim o vimos e queremos,
assim nos curvamos diante do seu berço
tecido de palha, vento e ar.

Seu sangrento destino prefixado não dilui
a luminosidade desta cena.
O menino, apenas um menino,
acima das filosofias, da cibernética e dos dólares,
sustenta o peso do mundo
na palma ingênua das mãos.

(Carlos Drummond de Andrade, in Farewell)

 

 

 

 

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