15 outubro 2010

O Romantismo

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O Romantismo no Brasil
Aula para o  ano/ Ensino Médio do Colégio Objetivo da Asa Sul


      1. Contextualização. Quadro comparativo entre a época arcádica e a romântica :

ARCADISMO
ROMANTISMO
Nobreza
Burguesia
Universalismo
Individualismo
Razão
Emoção
Paganismo
Cristianismo
Erudição: elitização da arte
Temas populares, folclore: arte popular



2. Caracterização do Romantismo

   
Subjetivismo - A pessoalidade do autor está em destaque. A poesia e a prosa romântica apresentam uma visão particular da sociedade, de seus costumes e da vida como um todo.
Sentimentalismo - Os sentimentos dos personagens entram em foco. O autor passa a usar a literatura como forma de explorar sentimentos comuns à sociedade, como: o amor, a cólera e a paixão etc. O sentimentalismo geralmente implica na exploração da temática amorosa e nos dramas de amor.
Nacionalismo, Ufanismo - Surge a necessidade de criar uma cultura genuinamente brasileira. Como uma forma de publicidade do Brasil, os autores brasileiros procuravam expressar uma opinião, um gosto, uma cultura e um jeito autênticos, livres de traços europeus.
Maior liberdade formal - As produções literárias estavam livres para assumir a forma que quisessem, ou seja, entrava em evidência a expressão em detrimento da estrutura formal (versificação, rima, etc).
Vocabulário mais brasileiro - Como um meio de criar uma cultura brasileira original os artistas buscavam inspiração nas raízes pré-coloniais utilizando-se de vocábulos indígenas e regionalismos brasileiros para criar uma língua que tivesse a cara do Brasil.
Religiosidade - A produção literária romântica, utiliza-se não só da fé católica como um meio de mostrar recato e austeridade, mas utiliza-se também da espiritualidade, expressando uma presença divina no ambiente natural.
Mal do Século - Essa geração, também conhecida como Byroniana e Ultrarromantismo, recebeu a denominação de mal do século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores impossíveis e a escuridão.
Evasão
Indianismo - O autor romântico utilizava-se da figura do índio como inspiração para seu trabalho, depositando em sua imagem a confiança num símbolo de patriotismo e brasilidade, adotando o indígena como a figura do herói nacional (bom selvagem).
A idealização da realidade - A análise dos fatos, das aparências, dos costumes etc era muito superficial e pessoal, por isso era idealizada, imaginada, assim o sonho e o desejo invadiam o mundo real criando uma descrição romântica e mascarada dos fatos.
Escapismo - Os artistas românticos procuravam fugir da opressão capitalista gerada pela revolução burguesa (revolução industrial). Apesar de criticarem a burguesia, os artistas tinham que ser sutis pois os burgueses eram os mecenas de sua literatura e por isso procuravam escapar da realidade através da idealização.
As formas de escape seriam as seguinte: Fuga no tempo, Fuga no sonho e na imaginação, Fuga na loucura , Fuga no espaço e Fuga na morte.
O culto à natureza - Com a busca de um passado indígena e de uma cultura naturalmente brasileira surge o culto ao natural, aos elementos da natureza, tão cultuados pelos índios. Passava-se a observar o ambiente natural como algo divino e puro.
A idealização da mulher (figura feminina)- a mulher era a fonte de toda a inspiração. Era intocável, vista como um anjo em que jamais poderiam desfrutar de suas características puras e angelicais.


3. Tendências básicas na poesia romântica brasileira



Poesia Indianista
Poesia Mal do Século
Poesia social
Poesia Lírico-Amorosa
Gonçalves de Magalhães
Álvares de Azevedo
Castro Alves
Gonçalves Dias
    4. Muitos poemas que não são do mesmo período, já inclusos em outro momento da nossa literatura, conhecido como contemporâneo, ainda trazem semelhanças atenuadas do estilo romântico. As canções da MPB e mesmo do pop rock , tão apreciadas na atualidade por diferentes gerações, apresentam um caráter romântico do mesmo estilo estudado, dada a possibilidade de diálogos entre a música e a literatura e da atemporalidade que marca a arte literária.

Meu Bem Querer
Autor : Djavan

Meu bem-querer
É segredo, é sagrado
Está sacramentado
Em meu coração

Meu bem-querer
Tem um "quê" de pecado
Acariciado pela emoção
Meu bem-querer, meu encanto
Tô sofrendo tanto

Amor
E o que é o sofrer
Para mim que estou
Jurado pra morrer de amor?

© 1980 Ed. Musicais Tapajós

Fonte :

( observar nos versos o sofrimento a que o eu-lírico se presta, diante da amada, o tom nostálgico na letra e nos aspectos formais, a sonoridade expressa através da rima, a liberdade no uso da língua, o individualismo e a finalização da letra no que diz respeito ao morrer de amor, quando se declara jurado para a morte.)
5. Casimiro de Abreu

Meus oito anos


Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
................................
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!
Fonte: < Trechos da apostila Colégio Objetivo Brasília >
Observação : O poeta sente saudade da fase da infância, talvez do auge dessa infância, em que ele desfrutava livremente do ambiente rural, sem o enfrentamento de problemas típicos da idade adulta, em meio a um cenário que resgata a flora brasileira e, ao mesmo tempo, um cenário que o proporcionava prazer, sonhos, amores. Suas referências são completas e, aparentemente, perfeitas.

6. Relação intertextual: a paródia entre Canção do Exílio de Gonçalves Dias e Canto de Regresso  à  Pátria de Oswald de Andrade

Texto 01 : Canção do exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
(Gonçalves Dias)

Texto 02 : Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

(Oswald de Andrade)


 Proposta de atividade :

1. A partir da leitura dos poemas, identifique o período literário a que pertence cada autor, destacando suas principais  características em relação aos versos lidos.
2. Podemos afirmar que o texto 02 é uma paródia do primeiro texto. Como é comum em quase toda paródia, a crítica destaca-se no processo intertextual. Qual é a crítica elaborada pelo poeta  Oswald de Andrade no poema Canto de Regresso à pátria ? Explique.

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