06 junho 2011

Eduardo e Mônica é a canção que virou filme no seu vigésimo quinto aniversário .Talvez um bom motivo para a geração coca-cola reviver sentimentos tão adversos que envolvem os muitos Eduardos e Mônicas de todos os tempos.

Um filme publicitário, mas que, sem dúvida alguma, tiraria da gaveta, depois de um quarto de um século, uma das mais charmosas histórias de amor, como em um conto literário em que as diferenças sociais passam a ser determinantes  na concretude de um amor. Engano quem apostasse que os dois viveriam desavenças ao longo do romance ou desistissem de algo assim mais substancial diante da falta de simultaneidade intelectual entre os dois.

 

A Mônica foi mais rápida, enquanto o Eduardo fazia o tipo do bom universitário, jovial, descompromissado com qualquer coisa que lhe imprimisse responsabilidade. Aliás, é o romance que o torna responsável, que o projeta como companheiro e depois como pai, até mesmo para abrir mão das férias, em virtude da recuperação do  " filhinho", da desistência de uma viagem.São os deveres familiares, aplicados ao romance, que já ganha nova feitura, em novo estágio de um romance que se inicia da forma mais banal para a década.

 

Se o trágico-romântico de Faroeste Caboclo criou uma extensão de popularidade no gênero poético-narrativo, com a terceira pessoa crivada de poesia e sentimentalismo, ainda que com um desfecho cruel e desapontador, é o par diferente e, ao mesmo tempo, um igual para as coisas do amor, que fizeram com que o poema narrativo de Eduardo e Mônica alçasse uma maior distância no jogo poético.

 

Enquanto tudo estava propenso a dar errado, dadas as diferenças do casal, alguma coisa tinha que dar certo. É mais ou menos uma filosofia de vida em que a beleza é contemplada onde ninguém consegue enxergar o sucesso ou matematicamente, no cálculo entre números positivos e negativos.

Ainda trago comigo aquela emoção pouco adulta, mas muito impactante para decorar a canção e cantar com as amigas no colégio. Hoje, quando cito o exemplo do gênero nas aulas de Literatura e sugiro a letra, ainda me emociono com a surpresa do conhecimento que a geração do Reason to believe ( só mudou o nome ) ainda permanece livre de qualquer preconceito diante do amor.Os tabus foram relativamente quebrados? Não importa a resposta.

Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar...enquanto Mônica tomava um conhaque n'outro canto da cidade como eles disseram...

Nada parecidos, ela terminando um curso de alemão e ele começando sua aulinha  de Inglês; ela conhecedora das Artes Plásticas, do cinema e, ele; um suburbano, da geração de 80. As diferenças, no entanto, aproximaram-nos. Aí é que persiste a delícia desse romance mal calculado, mal investigado que, para a surpresa de todos, é contemplado com um final perfeito demais para a época.



No filme, o remaking desse tema tão explícito socialmente, tem uma brecha, entre tantas outras: Repensar a banda e o rock de Renato Russo, enquanto  poeta de uma geração que deixou saudades e ainda dorme o bom sono dos pós-Eduardo e Mônica.
Para por ênfase nessa brecha, só mesmo a frase-chave da reflexão a que se propõem a letra e o filme :
E quem irá dizer que não existe razão...
                                       ( professora Marília Mendes )