Aos alunos do SESI/FIEMG:

Teremos um resumo semanal de nossas oficinas do curso de Língua Portuguesa, apresentando um texto motivador, referente à apostila da disciplina, sempre com  comentários que abrangem o que foi concluído pelos comunicadores dos grupos de cada  unidade.Tenho a certeza de que este espaço irá enriquecer nossa dinâmica, fixando os conteúdos e sistematizando as informações adquiridas. Desejo boas-vindas e votos de sucesso neste novo semestre.


    Professora Marília Mendes

SESI/FIEMG-2012
FIQUE DE OLHO !
RECOMENDAÇÕES para o Enem
Alguns temas que podem cair no Enem 2012
 
Por Paulo Milet e Felipe Beranrdo | Eschola.com – 26/09/2012 13:30:00

Não basta conhecer as regras ortográficas para se dar bem na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Além disso, nas outras matérias muitos textos podem ser aproveitados para encaixar questões. Os candidatos devem estar atualizados em relação à realidade social, política e econômica do país e conseguir relacionar o assunto com o que foi aprendido durante o ano letivo.
Abaixo listaremos alguns assuntos que são possíveis temas para a redação ou simples questões  do Enem 2012 e que devem ser estudados e aprofundados pelos candidatos.

Rio+20 e Código Florestal
Umtema ambiental que é um possível para a redação do Enem é a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que foi realizada entre os dias 13 a 22 de junho, no Rio de Janeiro. O evento marcou os vinte anos da realização do Eco-92.
Com o objetivo de renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável, o Rio +20 reuniu as principais cúpulas sobre o assunto e do tratamento de temas novos e emergentes. Os temas principais foram: economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável.
Nesse tema também, é importante saber que após 47 anos, é reformulado o Código Florestal Brasileiro. Um novo conjunto de leis (Projeto de Lei nº 1.876/99) define a Amazônia Legal, os direitos de propriedade e restrições de uso para algumas regiões que compreendem estas formações vegetais , os critérios para supressão e exploração da vegetação nativa e atua para melhorar a preservação ambiental.
Os temas ecológicos são recorrente durante os últimos anos em provas e redações, esse ano é fortalecido pela realização do Rio +20 e pelo Código Florestal.

Catástrofes naturais
Os desastres naturais tiveram grande repercussão no ano de 2012 e por isso merecem uma atenção especial. Do terremoto no Japão às enchentes em diversas regiões do Brasil periodicamente. Os alunos devem ter a capacidade de relacionar os acontecimentos ligando aos conceitos dos movimentos das placas tectônicas, tempestades tropicais, urbanização desordenada. Não esquecer de tentar estabelecer (ou não) conexões com o aquecimento global e com a responsabilidade (ou não) dos seres humanos sobre esse fenômeno.

Crise econômica mundial
A crise na zona do euro, principalmente na Grécia, arrasta o bloco inteiro para uma crise financeira sem precedentes. Os gregos acumulam altos índices de desemprego, entre os jovens esse índice ultrapassa a metade. A Itália anunciou a recessão de sua economia e segue cortando gastos públicos. Na Espanha, a dívida pública bate recorde. Para os candidatos é interessante conhecer o histórico dos países e também da união europeia. Apresentar quais serão as consequências dessa crise para o restante do mundo, inclusive o Brasil.

Eleições municipais e Política
Ano eleitoral. Os brasileiros vão às urnas em outubro para eleger prefeitos e vereadores. De acordo com os professores, questões sobre o processo eleitoral brasileiro e comparações entre diferentes momentos da história do Brasil podem aparecer nas provas. É importante ter em mente a divisão política e administrativa do país e as atribuições de casa um dos poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Já que estamos falando de política, é bom estar atualizado em relação a aspectos éticos, legais e escândalos que surgiram no noticiário.

Tecnologia e mudanças na sociedade
Novos produtos e processos chegando ao mercado em ritmo cada vez mais acelerado. Impactos no dia-a-dia dos cidadãos. Mudanças nas profissões. Redes sociais. Ensino a Distância.

Primavera Árabe
Os protestos que tiraram do poder o ditador tunisiano Zine El Abidine Ben Ali e o egípcio Hosni Mubarak, está alcançando o norte da África e diversos países do Oriente Médio. As questões sobre religião e seus conflitos no Oriente Médio, disputas pelo domínio do petróleo da região e a utilização da internet como ferramenta de mobilização social, podem aparecer na prova.

A usina de Belo Monte e a questão energética no Brasil
A Usina Hidrelétrica de Belo Monte é uma central hidrelétrica que está sendo construída no Rio Xingu, nas proximidades da cidade de Altamira, no Pará. Desde o início da construção da usina, o projeto é alvo de criticas por parte de ambientalistas e tribos indígenas locais. As polêmicas a cerca dos impactos ambientais da Usina Hidrelétrica de Belo Monte deve ser um tema presente na prova do Enem.

Brasil como sede de grandes eventos esportivos
A Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016 estão provocando uma série de ações do governo e da iniciativa privada. Vamos conseguir fazer algo organizado e que nos encha de orgulho? O sucesso da Olimpíadas de Londres também deve ser lembrado. O esporte de um modo geral como mobilizador e como promotor de saúde.




1. Conteúdo : Texto e contexto

Entendendo texto como  uma unidade global de comunicação que expressa uma ideia ou trata de um assunto determinado, tendo como referência a situação comunicativa concreta em que foi produzido, ou seja, o contexto, podemos avaliar a crônica do escritor Millôr Fernandes, ao explorar o excesso de palavras usadas na comunicação entre as mulheres e de acordo com sua concepção, quase sempre, presas a um universo que só elas entendem.


A vaguidão específica

Millôr Fernandes
La Insignia. Brasil, fevereiro de 2005.

"As mulheres têm uma maneira de falar que eu chamo de vago-específica."
-Richard Gehman-
_Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.
- Junto com as outras?
- Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia.
- Sim senhora. Olha, o homem está aí.
- Aquele de quando choveu?
- Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo.
- Que é que você disse a ele?
- Eu disse pra ele continuar.
- Ele já começou?
- Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse.
- É bom?
- Mais ou menos. O outro parece mais capaz.
- Você trouxe tudo pra cima?
- Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até a véspera.
- Mas traga, traga. Na ocasião nós descemos tudo de novo. É melhor, senão atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite.
- Está bem, vou ver como.

 
Veja como o humorista faz sua sátira, a partir de duas ideias básicas: "as mulheres falam demais" e "somente as mulheres se entendem". 

Comece a analisar pelo título a ironia do autor: "A vaguidão específica" (como algo pode ser vago e específico, ao mesmo tempo? Só as mulheres, diria Millôr e os que pensam como ele...).

As duas mulheres poderiam protagonizar a narrativa, enquanto patroa e empregada e a terceira personagem, por conta da imaginação, seria um sujeito contratado para exercer alguma atividade dentro da casa, supostamente, o espaço único de toda narrativa.

O que se evidencia, no entanto, é a ideia de que o texto é coeso, uma vez que os modalizadores foram usados de forma harmônica, mas não há coerência no fato narrado. Faltam muitas informações e as construções são feitas  por meio da divagação.

O escritor condena o discurso feminino ao descrevê-lo como vago e impreciso, ao mesmo tempo em que deixa escapar um certo preconceito social em relação aos papéis de homens e mulheres na comunicação. Talvez uma forma bem humorada de explicitar que elas falam muito, porém, pensando no que acredito, tanto quanto eles. O que muda, certamente, é o assunto.



2. O MODO DE ORGANIZAÇÃO NARRATIVO

Características da crônica de Rubem Braga 


* Construção de uma sucessão de ações de uma história no tempo em torno de uma busca e de um conflito , com actantes e personagens;


* Foco narrativo da crônica seguinte : 3ª pessoa;

* Personagens não-nomeados;

* Temática : o cotidiano;

* Tempo cronológico : o período em que acontece a refeição ( o almoço );

* Espaço geográfico : uma cidade do interior de MG.


Almoço Mineiro
Rubem Braga

Éramos dezesseis, incluindo quatro automóveis, uma charrete, três diplomatas, dois jornalistas, um capitão-tenente da Marinha, um tenente-coronel da Força Pública, um empresário do cassino, um prefeito, uma senhora loura e três morenas, dois oficiais de gabinete, uma criança de colo e outra de fita cor-de-rosa que se fazia acompanhar de uma boneca.

Falamos de vários assuntos inconfessáveis. Depois de alguns minutos de debates ficou assentado que Poços de Caldas é uma linda cidade. Também se deliberou, depois de ouvidos vários oradores, que estava um dia muito bonito. A palestra foi decaindo então, para assuntos muitos escabrosos: discutiu-se até política. Depois que uma senhora paulista e outra carioca trocaram idéias a respeito do separatismo, um cavalheiro ergueu um brinde ao Brasil. Logo se levantaram outros, que, infelizmente, não nos foi possível anotar, em vista de estarmos situados na extremidade da mesa. Pelo entusiasmo reinante supomos que foram brindados o soldado desconhecido, as tardes de outono, as flores dos vergéis, os proletários armênios e as pessoas presentes. O certo é que um preto fazia funcionar a sua harmônica, ou talvez a sua concertina, com bastante sentimento. Seu Nhonhô cantou ao violão com a pureza e a operosidade inerentes a um velho funcionário municipal.

Mas nós todos sentíamos, no fundo do coração, que nada tinha importância, nem a Força Pública , nem o violão de seu Nhonhô, nem mesmo as águas sulfurosas. Acima de tudo pairava o divino lombo de porco com tutu de feijão. O lombo era macio e tão suave que todos imaginamos que o seu primitivo dono devia ser um porco extremamente gentil, expoente da mais fina flor da espiritualidade suína. O tutu era um tutu honesto, forte, poderoso, saudável.

É inútil dizer qualquer coisa a respeito dos torresmos. Eram torresmos trigueiros como a doce amada de Salomão, alguns louros, outros mulatos. Uns estavam molinhos, quase simples gordura. Outros eram duros e enroscados, com dois ou três fios.

Havia arroz sem colorau, couve e pão. Sobre a toalha havia também copos cheios de vinho ou de água mineral, sorrisos, manchas de sol e a frescura do vento que sussurrava nas árvores. E no fim de tudo houve fotografias. É possível que nesse intervalo tenhamos esquecido uma encantadora lingüiça de porco e talvez um pouco de farofa. Que importa? O lombo era o essencial, e a sua essência era sublime. Por fora era escuro, com tons de ouro. A faca penetrava nele tão docemente como a alma de uma virgem pura entra no céu. A polpa se abria, levemente enfibrada, muito branquinha, desse branco leitoso e doce que têm certas nuvens às quatro e meia da tarde, na primavera. O gosto era de um salgado distante e de uma ternura quase musical. Era um gosto indefinível e puríssimo, como se o lombo fosse lombinho da orelha de um anjo ouro. Os torresmos davam uma nota marítima, salgados e excitantes da saliva. O tutu tinha o sabor que deve ter, para uma criança que fosse gourmet de todas as terras, a terra virgem recolhida muito longe do solo, sob um prado cheio de flores, terra com um perfume vegetal diluído mas uniforme. E do prato inteiro, onde havia um ameno jogo de cores cuja nota mais viva era o verde molhado da couve — do prato inteiro, que fumegava suavemente, subia para a nossa alma um encanto abençoado de coisas simples e boas.

Era o encanto de Minas.
São Paulo, 1934.

Texto extraído do livro "
Morro do Isolamento", editora Record - Rio de Janeiro, 1982, pág. 121.

3. Por gêneros textuais compreendemos todos os textos de qualquer natureza,literários ou não-literários. As modalidades discursivas constituem as estruturas e as funções sociais (narrativas, discursivas, argumentativas), responsáveis pela sua organização.

Durante a semana, reservamos alguns horários das aulas de Língua Portuguesa e elaboramos, em grupos distintos, nos laboratórios de informática, trabalhos  e exemplos acerca  dos gêneros textuais: anúncios, convites, atlas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, cartazes, comédias, contos de fadas, crônicas, editoriais, ensaios, entrevistas, contratos, decretos, discursos políticos, histórias, instruções de uso, letras de música, leis, mensagens, notícias. 

Os textos de circulação social, que têm uma função específica, para um público específico e com características próprias permitiram uma análise de cada modo de organização discursiva. A partir do estudo dos gêneros, observamos ainda os  aspectos da textualidade,  como coerência e coesão textuais, impessoalidade, técnicas de argumentação e outros aspectos pertinentes ao gênero em questão.

Quanto aos modos de organização discursiva, aproveitamos a crônica Almoço Mineiro de Rubem Braga como exemplo de texto narrativo. Ainda na mesma crônica, observamos o caráter descritivo presente em alguns parágrafos, uma vez que o narrador usa de detalhamento para descrever os pratos componentes da mesa à qual ele se senta.

O modo de organização dissertativa, quer seja na forma argumentativa ou expositiva também fizeram parte dos trabalhos. Foram feitas análises a partir de textos jornalísticos, cujo suporte foi a internet. Reproduzimos uma notícia atual, referente à ação do governo no que diz respeito à greve de diferentes setores em todo Brasil.

Lembramos ainda, o primeiro texto discutido em nossas oficinas, que reproduz exclusivamente um diálogo, sem a presença de um narrador, como é caso do texto Vaguidão Específica, de Milôr Fernandes.

Fechamos as oficinas, destacando a importância da identificação de cada suporte usado para os gêneros textuais e como o hipertexto, que se utiliza de ferramentas midiáticas, tornou-se comum em nosso dia a dia.
Foi um espaço de integração e de grande aproveitamento. Deixo um grande abraço a todos os alunos das unidades que fazem partem do projeto.

                            Professora Marília Mendes



4. O assunto é gerundismo

Segue o texto motivador para nossas oficinas da semana. Boa leitura ! 

Por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Gerúndio... Gerundismo? Uma análise linguística



Uma forma nominal entrecruzando-se com um modismo vocabular... Não é mesmo que esta “onda” já pegou? Tal ocorrência revela somente mais um dos hábitos a que os falantes se apegam sem ao menos se dar conta de que, perante o padrão formal da linguagem, são tidos como errôneos.

Abnegando-se de quaisquer intenções de natureza categórica, há que se mencionar que este “fenômeno” se evidencia em várias esferas da sociedade, seja em instituições bancárias, empresariais, educacionais, nas conversas proferidas ao telefone, naquelas informais do dia a dia, e acredite... até mesmo nas formais, mais precisamente na escrita...

Situações corriqueiras como:

Mas afinal, onde reside a incoerência?

O fato é que precisamos estar cientes de que o gerúndio se caracteriza como uma forma nominal aplicável em várias circunstâncias, desde que condizente como tal, ou seja, para expressar uma ação em curso ou uma ação simultânea a outra, ou para exprimir a ideia de progressão indefinida. Portanto, os presentes enunciados carecem de uma reformulação, cuja maneira assim se evidenciaria:

Desta forma, ao fazer uso do gerundismo, a ideia expressa pelo falante não se revela pela noção de simultaneidade, mas sim pelo fato de denotar uma ação específica, na qual esta continuidade torna-se desprezível, como em: “Vou estar transferindo”. “Vou transferir” retrata uma ação que vai ocorrer deste momento em diante, enquanto que dito de outra forma (Vou estar transferindo) se refere a um futuro em andamento – daí a recusa da “permanência no tempo” (continuidade).

Diante de tais pressupostos, torna-se essencial que entendamos acerca das características às quais o gerúndio se refere, uma vez que se trata de uma forma nominal constituída por um verbo auxiliar (ser, estar, dentre outros) acrescido de um outro verbo cuja terminação se define por -NDO. Tornando-se viável mediante enunciados semelhantes a:

É bem provável que amanhã estará chovendo, razão pela qual não iremos à praia.

Andam dizendo por aí que não mais voltarei, enganam-se por demais.