29 outubro 2014


A presença cultural e linguística exercida pela França no português do século XIX, foi substituída pela do inglês americano. Enquanto potência, sociopolítica e culturalmente reconhecida, Os EUA marcam sua presença em países como no Brasil, manifestando-se, através da língua, dentre outras formas de incorporação e de imposição.
Os estrangeirismos chegaram ao mesmo tempo que a revolução tecnológica e na necessidade de uma nova forma de comunicação. A penetração de elementos de uma cultura em outra acarreta, por sua vez, os dos itens lexicais correspondentes. Ao ser incorporado à cultura de um povo um novo elemento, a denominação de que necessita pode incorporar-se de diversas formas à língua-objeto. Esta denominação pode ser totalmente estranha à língua receptora e, portanto, ser acrescentada a seu léxico como um novo sintagma, com pronúncia aproximada. Quando a fonética das duas línguas não se corresponde totalmente, pode ser traduzida por alguma designação que, de alguma forma, lembre o item agora assimilado. Temos a seguir, o estudo de alguns casos de empréstimos lexicais e à maneira como eles se comportam em diferentes contextos no português.

Empréstimos adaptados
Até mesmo à nossa vida cotidiana já vêm sendo incorporados numerosos termos originados no inglês. Assim já quase não percebemos que vieram desta língua palavras como teste (test) flerte (flirt), esnobe (snob), blefe (bluff), coquetel (cocktail), drinque (drink), lanche (lunch), sanduíche (sandwich), estresse (stress), vagão (waggon), estoque (stock), estande (stand), clube (club), esporte (sport), futebol (football), time (team), gol (goal), basquete (basket), turfe (turf), surfe (surf), suspense (suspense), blecaute (black-out), locaute (lockout), nocaute (knock-out), trailer (trailer), estêncil (stencil) xérox (xerox) e muitos outros. 
 
Os decalques Outro processo de entrada de empréstimos é o dos chamados decalques. Um sintagma, geralmente composto de mais de um elemento lexical, é traduzido literalmente, produzindo um novo sintagma, que, de início, causa estranheza porque possivelmente não se formasse assim na língua, não fosse a imitação do empréstimo. É o caso de sleeper (dormente), com a acepção de travessa usada nas ferrovias, hot-dog (cachorro-quente), loud-speaker (alto-falante), high technology ou high tech (alta tecnologia), supermarket (supermercado), credit card (cartão de crédito).
 
Uso dos empréstimos midiáticos
Na escrita é norma tradicional grifar, geralmente com itálico, os termos que não pertencem à língua. Assim, até um empréstimo ser incorporado, deve ser escrito dessa forma para advertir o leitor de que não está dicionarizado, porém o que se vem observando cada vez mais é muita vacilação e ausência de critérios quanto a seu uso. Muitos empréstimos recentes do inglês estão sendo usados sem grifo pela mídia, especializada ou não: boy, marketing, merchandising, rush, show, stress, surf e muitos outros.
Continuam usando-se na forma original: best-seller, happy end, happy hour copyright, layout, impeachment, know how, marketing, performance, shopping market ou shopping, show-room, stablishmenmt etc. 
 
Empréstimos recentes
Na área de alimentação e bebidas, além dos já incorporados como sanduíche, drinque, coquetel, e outros, vêm ganhando terreno fast-food, com o sentido de refeição ligeira; no esporte, ginástica e atividades físicas em geral, entre outros, fitness (bom estado físico do corpo), look (aspecto, aparência), personal trainer (treinador individual), windsurf (modalidade de surfe praticado com a ajuda do vento), board surf (prancha para surfe), piercing (apliques de pequenas peças metálicas em diversas partes do corpo), peeling (determinado tratamento de pele),etc.
Na política: lobby (pressão sobre os representantes do povo para induzi-los a votar projetos de lei favoráveis), staff (grupo qualificado de pessoas que assistem a um chefe de uma importante organização).
A maior parte dos itens lexicais importados são substantivos ou verbos, porém alguns adjetivos estão firmando-se, apesar de serem muito diferentes gráfica e foneticamente. Entre eles diet, light e sexy.
 
Na informática (O internetês)
Nas publicações que tratam das novas tecnologias, é tal a quantidade de palavras e expressões específicas que, se o leitor não estiver familiarizado com a área, terá dificuldade na plena compreensão do texto. 

backup = arquivo que contém cópia de segurança de outro arquivo
bit bi(nary dig)it [dígito binário] = quantidade mínima de informação que pode ser transmitida por um sistema
boot = operação que inicializa o funcionamento
browser = navegador, programa de busca na Internet
byte = sequência de 8 bits, considerada unidade básica
bug = erro ou mau funcionamento de um programa
chip = pastilha, placa minúscula de material de condução elétrica usada em circuitos integrados
drive = unidade de disco
driver = programa que gerencia a entrada e/ou saída de dados
hacker = gênio em computação que consegue penetrar em outros computadores ou sistemas
hard disk = disco rígido, disco duro
hardware = componentes físicos do computador
homepage = espaço reservado na Internet


                                               Professora Marília Mendes
Referências bibliográficas:

CUNHA, Celso & CINTRA, Luís F. Lindley. Nova Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1985.
DICIONÁRIO AURÉLIO Eletrônico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998
DICIONÁRIO BRASILEIRO GLOBO Multimídia. Rio de Janeiro: Globo, 1997