24 junho 2012

Era meu esse rosto

Posted by Blog Café Contexto On 19:00 1 comment


De romance em romance, ela segue a trajetória feminina em seus registros superlotados de linguagem poética. Mais que relatos familiares, a narrativa destaca a experiência da morte em  diferentes gerações.





Na narrativa da infância, recupera-se uma mitologia familiar de grande delicadeza onde o avô filósofo é figura central. Haverá, entretanto, a expulsão do paraíso. Do mundo angelical surge o mundo da condenação. A vida é uma fita esticada “pronta a ser cortada pela tesoura de um Deus que não se oculta e que me suga o sangue desde cedo”. Daí, segue um inventário de perdas: a morte do tio, da avó e do avô. A vida fraturada pelas primeiras experiências da morte. Ao narrador cabe atar essas várias histórias que se entrecruzam. A sombra da morte está sempre ao seu lado.


A vida com afeto é surpreendida pela fatalidade da morte, mas entre um intervalo e outro, a viagem de um Ulisses, que busca encontrar significado para suas origens, assim como todos nós, é um caminho por saber de onde viemos e para onde vamos, um exercício de identidade, de autenticidade e de reconhecimento das nossas experiências e o que elas fazem na nossa vida. Um excelente companheiro de viagem para esse período de férias. Um achado entre os romances da figura de uma escritora que tem sensibilidade refinada e dá seu recado entre nós através da reinvenção da linguagem comum. 

ERA MEU ESSE ROSTO
Record, 2012


Era Meu Esse Rosto é um romance que comecei a escrever em 1998 e que entreguei à editora em 2011. De tudo o que escrevi, este é o livro pelo qual tenho o maior e o melhor afeto. Trata-se de um romance baseado em uma história real que ouvi muito quando era menina. Contando um segredo bem baixinho, foi como me senti ao escrevê-lo. Daqueles que ouvem somente quem lhe presta atenção sabendo guardá-lo como se fosse seu. A capa traz a imagem de uma foto dos anos 60 de Luiz Eduardo Achutti, meu amigo e meu ex-professor de fotografia. Ela foi uma chado ímpar, por revelar a alma – e o rosto - do meu livro. A orelha é de um poeta maravilhoso Donizete Galvão e a apresentação generosa de Regina Zilberman, professora de Literatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, me encheu de alegria.
                                 Aproveitem : ler faz a diferença! Eu acredito !
Beijo da professora Lila.

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